sexta-feira, 18 de julho de 2008

Entre partidas e regressos...

Nestes meus ultimos dias...
Por entre a alegria de um percurso terminado...
E pela "nostalgia" de "dias" de "face to face" que agora se reconstroem...
Muitas vezes....por entre cafés e gelados... preenchi a memória...por:


"Paga-me um café e conto-te a minha vida."

O Inverno avançava
nessa tarde em que te ouvi
assaltado por dores

O céu quebrava-se aos disparos
de uma criança muito assustada
que corria
O vento batia-lhe no rosto com violência
A infância inteira
disso me lembro

Outra noite cortaste o sono da casa
com frio e medo
Apagavas cigarros nas palmas das mãos
e os que te viam choravam
mas tu ,não, nunca choraste
Por amores que se perdem

Os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas ,acreditas?
E temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois.

"Pago-te um café se me contares o teu amor."
José Tolentino Mendonça
PARA TODOS AQUELES QUE ME DEIXAM SAUDADES DESTE MAR....

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Para silênciar...


“Se eu não tivesse o Senhor ao meu lado,
penso que não conseguiria crescer na dor.
Ser prisioneiro coloca-te numa situação de humilhação constante.
És vítima do arbítrio completo, conhece-se o que há de mais vil na alma humana.
Face a isso, há dois caminhos. Ou endurecemos, e aí tornamo-nos ásperos, vingativos, deixando que o coração se encha de rancor.
Ou escolhemos o outro caminho, aquele que Jesus nos mostrou.
Ele pede-nos: ‘Bendiz o teu inimigo’”.

Ingrid Betancourt

sábado, 5 de julho de 2008

Presença mais pura

Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»


José Tolentino Mendonça
de A Que Distância Deixaste o Coração

quinta-feira, 3 de julho de 2008

NÃO TE DETENHAS...

Tem sempre presente, que a pele se enruga,o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos ....
Mas o que importa, não muda:
a tua força e convicção não tem idade;enquanto tu estás vivo, sente-se vivo.
O espírito é como qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não conseguires correr atrás dos anos, trote.
Quando não conseguires trotar, caminha.
Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas."
Madre Teresa de Calcutá